

O diagnóstico genético pré-implantacional (PGD) ou pré-implantação, é um procedimento o qual permite que embriões sejam testados perante uma doença genética antes de sua transferência para o útero materno, ou seja, antes do inicio da gestação. Essencialmente, existem dois componentes laboratoriais envolvidos no PGD. O primeiro envolve a coleta do material para ser analisado, o qual é obtido através da biópsia embrionária. O segundo, é o teste diagnóstico em si, que usualmente é realizado por duas metodologias: reação em cadeia da polimerase (PCR) ou e hibridização in situ fluorescente (FISH). Em regra geral, a FISH é aplicada para analise de alterações cromossômicas, e a PCR para alterações gênicas. Até o momento, foram realizados mais de 3.500 casos de PGD em todo o mundo, resultando em mais de 500 gestações saudáveis, apesar de haver aproximadamente 2.400 ciclos publicados na literatura. O PGD já foi usado com sucesso em mais de 30 doenças monogênicas, e também para a detecção de desbalanço cromossômico em famílias portadoras de rearranjos como as translocações cromossômicas.
A idéia original do PGD surgiu no final dos anos 60 com o intuito de identificar o sexo de embriões de coelhos que estavam na fase de blastocisto, de modo que futuramente a técnica pudesse ajudar casais com risco de gerarem filhos com uma doença genética ligada ao sexo, como por exemplo, a hemofilia. A primeira descrição de uma gestação onde os embriões foram pré-selecionados para evitar a transmissão de uma doença genética foi em 1990. Atualmente o PGD auxilia casais inférteis não só a terem uma gestação como também os auxilia na prevenção da transmissão de uma desordem genética. Em um esforço de melhorar as taxas de gestação ao identificar os embriões que são cromossomicamente normais, alguns centros de infertilidade estão introduzindo o exame de PGD para uma triagem de embriões normais. Sabe-se que aproximadamente 50% dos embriões produzidos em laboratório apresentam uma alteração cromossômica. Embora um número significante de ciclos de PGD é realizado para doenças hereditárias (Tabela 1) e rearranjos cromossômicos, os pacientes inférteis que são submetidos ao diagnóstico pré-implantacional no intuito de identificar os embriões cromossomicamente normais para transferência em razão de aumentar os índices de sucesso do tratamento, representa o maior grupo. Esse grupo é composto primariamente por mulheres em idade reprodutiva avançada (>35 anos), as quais estão sob um maior risco de produzir oócitos com um número anormal de cromossomos (Tabela 2). Portanto, o PGD é o único teste capaz de diagnosticar desordens genéticas de um embrião antes da concepção da gestação. Assim sendo, além de melhorar os resultados da FIV, também auxilia casais com risco reprodutivo a vir a ter filhos livres da doença.
No RDO já foram analisados mais de 1.000 embriões para doenças cromossômicas e atualmente realiza-se de rotina mais de 10 doenças monogênicas como Fibrose Cística, Talassemias, X-frágil, Ataxias Cerebelares, Surdez hereditária, Doenças de erro inato do metabolismo, Adrenoleucodistrofia ligada ao cromossomo X, dentre outras. Hoje realizamos PGD para qualquer doença monogênica que o gene já seja conhecido, sem a necessidade de enviar material para o exterior, ou seja, todos os exames são realizados dentro do próprio RDO.
Tabela 1 - Doenças monogênicas que já foi realizado PGD

Tabela 2 - Aumento da taxa de implantação embrionária devido ao auxílio do PGD, de acordo com a idade materna


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